Neurocirurgião da capital esclarece como funciona o tratamento para mal de Parkinson


A equipe da Tv Santa Luzia conversou por telefone com o médico neurocirurgião Dr Neuton Magalhães responsável pelo o tratamento do paciente diagnosticado com mal de Parkinson, o senhor Pedro Pereira da cidade de Santa Luzia, ele foi um dos primeiros da Paraíba a receber o tratamento especial, por meio de uma implantação cirúrgica, chamado de um estimulador cerebral. Leia o que diz o médico sobre este tipo de tratamento.

- Como é feita a avaliação para a cirurgia de um paciente que é diagnosticado com Doença de Parkinson ?

O tratamento cirúrgico para controlar os sintomas da Doença de Parkinson existe há mais de ciquenta anos. No entanto, na atualidade a estimulação cerebral produnda é o melhor tratamento cirúrgico disponível, sobretudo por que é reversível caso não atinja o resultado esperado. A tecnologia é semelhante a um marcapasso cardíaco. A diferença é que no lugar de estimular o coração, estimulamos um ponto do cérebro ajudando a controlar os sintomas da doença. Em geral começamos a pensar na cirurgia quando existem dificuldades para controlar os sintomas com as medicações, o que ocorre após 5 anos após o início dos sintomas.
 A avaliação pré-operatória começa com um teste de Prolopa no qual administramos uma dose maior de levodopa (Prolopa) e observamos a resposta do paciente que prediz o resultado da cirurgia. Baseado nesta resposta, podemos inferir a porcentagem de melhora do paciente com a cirurgia. Além disso, é preciso constatar que o paciente não apresenta sinais de demência.

- Esta doença atinge quais partes do corpo ?


A Doença de Parkinson é uma doença que atinge principalmente o sistema nervoso, além de muitos outros órgãos como glândulas e intestino. No entanto, os sintomas mais visíveis são as alterações dos movimentos. O paciente fica mais lento, alguns apresentam tremor, rigidez e instabilidade postural (facilidade para quedas). Alguns sintomas surgem vários anos antes de surgirem os sintomas motores tal como perda do olfato.
 
- Qual a probabilidade do tratamento ser positivo em pacientes como seu Pedro ?
Fazemos uma avaliação rigorosa antes da cirurgia, chamado teste de prolopa, onde temos a possibilidade de saber a porcentagem de melhora de cada paciente com a estimulação cerebral profunda. No caso do seu Pedro, esta avaliação apontava uma melhora de cerca de 70% dos sintomas o que pode ser alcançado em torno de três meses após a cirurgia. Mas ele já apresentou uma melhora acima do esperado nestes 15 dias.
 
- A Paraíba está preparada para a evolução no tratamento da Doença de Parkinson ?

Sim, temos hospitais públicos e privados com suporte para realização desta cirurgia, porém faltam os eletrodos e alguns equipamentos utilizados durante a cirurgia. Quando agendamos estas cirurgias, esses equipamentos vêm de São Paulo. Isso eleva bastante o valor da cirurgia, dificultando o acesso da maioria dos pacientes que necessitam.
 - Explique quais as reações e os riscos pós cirurgia
- A cirurgia não é a cura para a Doença de Parkinson, mas conseguimos controlar os sintomas. Após a cirurgia, espera-se que o paciente evolua rapidamente com melhora dos sintomas da Doença de Parkinson em até 03 meses. À medida que aumentamos a estimulação cerebral, conseguimos reduzir as medicações em torno 70% da dose habitual. Cada vez que o paciente retorna para as consultas, o médico consegue regular o estimulador cerebral e controlar os sintomas à medida que a doença avança. Com isso o paciente melhora bastante sua qualidade de vida.

Os principais riscos desta cirurgia são infecção, hemorragias cerebrais e dificuldades de funcionamento do estimulador. O risco de óbito é menor que um por cento.

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